Comunidade judaica elogia eleição de Fux para a presidência do STF

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Comunidade judaica elogia eleição de Fux para a presidência do STF


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A partir de setembro próximo, o ministro Luiz Fux será o 48º presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), no biênio 2020-2022. Nesta corte desde 2011, ele será o primeiro representante da comunidade judaica a assumir a função.

Na opinião do embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, a eleição de Fux retrata um aspecto acollhedor e de tolerância no Brasil.  

“Esta escolha honrosa prova mais do que nunca que os judeus que foram recebidos de maneira justa e equitativa podem alcançar lugares excelentes como todos os outros cidadãos do país. A contribuição deles é a prova de que quem escolhe ser um cidadão decente, o céu é o limite”, observou.

Shelley ressaltou, no entanto, que foram as credenciais de Fux que o levaram a assumir a função.

“Fux foi escolhido graças às suas habilidades e não às suas origens, mas é sempre bom ouvir sobre esses sucessos. Estamos felizes com isso, desejamos a ele sucesso contínuo e parabenizamos o Supremo Tribunal Federal e o governo do Brasil pela igualdade de tratamento com todos os cidadãos e pelas boas relações com Israel em todos os campos”, completou.

Já o presidente da Conib (Confederação Israelita do Brasil), Fernando Lottenberg, considera que a atuação de Fux no STF tem mostrado plena sintonia com tradição judaica de valorizar a Justiça.

“A comunidade judaica brasileira tem muito orgulho de ter um ministro como Luiz Fux assumindo a presidência do Supremo Tribunal Federal. A comunidade judaica sempre valorizou a busca da Justiça e o respeito à lei. Esses valores e inspirações certamente ajudarão a guiar o ministro nessa tarefa tão importante para todos nós brasileiros”, disse Lottenberg.

Para Ricardo Berkiensztat, presidente executivo da Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo), a chegada de Fux à presidência é positiva devido ao fato dele sempre ter sido um jurista aberto ao diálogo. Tal postura colabora para as relações institucionais entre Brasil e Israel, segundo o dirigente.

“Pela postura de diálogo que o Luiz Fux sempre conduziu sua carreira, acho que a sua eleição para o cargo de presidente do STF é positiva. No que diz respeito às relações jurídicas e institucionais entre Brasil e Israel, a presença dele será uma contribuição para esse canal continuar aberto. E isso é bom também para a comunidade judaica. Tal postura já tem sido vista nesta corte. Com Dias Toffoli também havia um bom relacionamento e com Fux não será diferente”, observou.

Assim como Shelley, Berkiensztat  também preferiu enaltecer o currículo do novo presidente do STF.

“Luiz Fux se tornou presidente por sua capacidade jurídica e não pela religião. Da mesma forma que condenamos críticas negativas em relação aos judeus também não podemos enaltecer, pelo lado positivo, relacionando algum mérito a esta questão. Religião é algo de foro íntimo e o sucesso vem da capacidade. O importante é haver sempre a tolerância”, completou.

Diante dos desafios

A eleição de Fux entre os seus pares no STF foi antecipada de agosto para junho, muito em função da pandemia. Fux pertence a uma família exilada na Segunda Guerra Mundial. Seus avós se reencontraram no Brasil, após sobreviverem à perseguição nazista.

Filho de Lucy e Mendel Wolf Fux, o ministro já contou que a gratidão ao Brasil impulsionou seus avós a uma atuação solidária no país. O avô , Moisés Fux, assumiu uma entidade que era casa de acolhida de idosos em condições de vulnerabilidade e a avó, Bertha Fux, se tornou presidente do Lar das Crianças israelitas, entidade que acolhia crianças carentes.

Tendo iniciado os estudos no colégio judaico Liessin, no Rio de Janeiro, onde nasceu, Fux teve uma infância humilde, no Andaraí. Depois de passar pelo colégio Pedro II, ingressou em Direito em 1972, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

A escolha da profissão teve alguma relação com o fato do pai, um imigrante romeno, ter se tornado advogado já mais velho, após atuar por muitos anos como técnico em contabilidade.

Fux se formou em 1976. Nos dois anos seguintes atuou como advogado e, depois, por três anos como promotor de Justiça. Professor universitário, ele se tornou juiz estadual, aprovado em primeiro lugar no concurso, entre 1983 e 1997, quando foi promovido a desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Entre 2001 e 2011 foi ministro do Superior Tribunal de Justiça, até ingressar no STF.

A atuação de Fux no Supremo tem sido marcada por uma defesa de valores democráticos e em defesa da dos procuradores na Lava Jato.

Ele foi um dos foi um dos cinco ministros que votaram a favor das prisões após condenação em segunda instância, não aprovadas pela maioria da corte.

Neste início de presidência, Fux deverá ter o desafio de organizar os trabalhos da corte no julgamento de questões relativas ao impacto orçamentário da pandemia para o Brasil e pendências judiciais causadas pela mesma.

Conib
Fonte: R7

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