Médicos defendem na Câmara busca da imunidade de rebanho

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Médicos defendem na Câmara busca da imunidade de rebanho


Por sugestão do líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR), uma comissão da Câmara discutiu na manhã desta quarta-feira (28) a possibilidade de se buscar a imunidade de rebanho da covid-19 no país, que seria obtida evitando-se o isolamento e permitindo que um alto percentual da população se infectasse pelo novo coronavírus.

O deputado federal Professor Luizinho (PP-RJ), que comandou a discussão, prometeu um debate democrático com a opinião de cientistas de vários setores para informar a população.

A escolha dos profissionais, no entanto, foi parcial: três dos quatro médicos ouvidos se destacaram durante a pandemia por irem contra o isolamento social e defenderem, por exemplo, o uso do medicamento hidroxicloroquina, bastante elogiado pelo presidente Jair Bolsonaro, apesar de estudos científicos terem descartado sua eficácia contra a covid-19.

O deputado e ex-ministro da Saúde no governo de Michel Temer, Ricardo Barros, afirmou que, apesar de não ser profissional de medicina, entende que os problemas oriundos do isolamento são maiores do que os causados pela doença, por isso resolveu sugerir o debate à Câmara.  Para ele, se todas as atividades econômicas forem retomadas, incluindo escolas, o país põe um fim à pandemia.

“O fique em casa até acabar o ar matou muita gente”, disse o deputado.

Brasil errou em tudo

O primeiro médico a falar foi Anthony Wong, pediatra e toxicologista. Ele afirmou que sempre foi claro que se deveria ter buscado a imunidade de rebanho logo no início da pandemia, e jamais ter fechado as escolas. “Dessa maneira, nós teríamos muito menos casos fatais”, garantiu.

“As crianças são menos suscetíveis à infecção e conseguem eliminar o vírus mais rapidamente”, comentou ao criticar a paralisação do ensino.

O pediatra também defendeu o isolamento vertical, mantendo em casa apenas os grupos de risco. Segundo Wong, vários países o adotaram, paralelamente ao uso de mácaras, e conseguiram reduzir a expansão da doença.

Para ele, o isolamento em março foi em um momento totalmente errado. Os primeiros trabalhos divulgados, declarou o médico, já diziam que o novo coronavírus não sobreviveria ao calor.

“Na época de março, quando começou o lockdown insensato no Brasil, em que as condiçoes climáticas e o comportamento [das pessoas] aumentaria as infecções, deveria ter-se aproveitado para transmitir uma quantidade de vírus menor e poderia-se desenvolver a imunidade sem desenvolver a doença.”

“Os números de março a maio mostravam muitos doentes, mas poucas mortes”, lembrou, argumentando que a partir de então os dados aumentaram por causa do avanço do frio. 

Wong também disse que a segunda onda da covid-19, se vier, será em maio do ano que vem. “Então nós temos seis meses para se preparar para isso.”

Ele fez as contas e afirmou que com 25% a 30% de infectados já seria possível adquirir a imunidade de rebanho no país. E, sem citar a hidroxicloroquina, que já defendeu em outras ocasiões, afirmou que melhor do que a vacina é o tratamento precoce da doença.

Nise Yamaguchi, médica oncologista e imunologista, afirmou que os estudos feitos durante a pandemia não comprovaram a necessidade do isolamento.

Bolsonaro se encontra com médica que defende cloroquina para covid

Ela alerta que as vacinas atuais não estão testando pessoas que já tiveram a doença, o que pode geral uma síndrome inflamatória. “Você vacinar alguém que já teve o vírus pode gerar o risco da doença inflamatória que ela já teve antes”, alertou.

A médica, que em vários momentos defendeu as opiniões do presidente Bolsonaro contra a quarentena, disse que a imprensa exagerou nos números com o objetivo de levar insegurança à população.  

“Quando se dá muito destaque às coisas mais raras é porque quer se trazer para uma visão de mundo caótica.”

Nise disse que a mortalidade por outras causas, como suicídio, depressão e outros problemas de saúde, aumentou por causa de uma doença que tem menos de “1% de letalidade”.

“Não se justifica a não volta às escolas”, afirmou. “Hoje as crianças não estão na escola, mas estão indo para praia, jogando videogame na casa dos amigos.”

Ela voltou a minimizar a importância da covid-19 ao dizer que há a possibildiade de se pegar muitas doenças, a covid-19 seria apenas uma delas. “Nesse momento, não vai existir ninguém no mundo que possa dizer que você vai sair na rua e não vai pegar uma tuberculose, ou uma outra infecção viral”, minimizou.

.A oncologista ainda fez coro às últimas declarações de Bolsonaro contra a vacina obrigatória ao dizer que é direito do cidadão não querer ser vacinado se já teve o coronavírus ou quando considerar que por algum motivo não deve receber o imunizante. 

O infectologista Paolo Zanotto elogiou as explanações de Wong e Nise e afirmou que vê com tristeza pessoas sozinhas debaixo do sol, mas com máscaras. Segundo ele, o sol é melhor contra a doença que muitos laboratórios.

O médico sanitarista Alexandre Chieppe foi o único contraponto na discussão ao dizer que ainda não dá para se saber quando se chegaria à imunidade de rebanho. “Os estudos falam de 25% a 80% da população”, advertiu.

“É muito perigoso partir da discussão sobre flexibilização partindo do tema imunidade de rebanho.”

Ele defendeu o isolamento seletivo, apenas para grupos de risco, mas com muitos cuidados. Chieppe sugere  a manutenção da proteção às pessoas que apresentam maior risco de morrer por causa do novo coronavírus e a gradual exposição de grupos menos suscetíveis, com o intuito de retomar a economia e o funcionamento das escolas.

“A gente tem que retomar a economia e garantir um retorno às aulas. Ainda não é um consenso nacional, mas os dados epidemiológicos mostram que os riscos às crianças pelo novo coronavírus é muito baixo.”

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Fonte: R7

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