De volta para o futuro: indústria automotiva deu marcha à ré?

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De volta para o futuro: indústria automotiva deu marcha à ré?


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Os anos 1990 foram emblemáticos para a indústria automotiva brasileira . Nos primeiros meses de seu mandato, o então presidente Fernando Collor – hoje senador por Alagoas – autorizou a entrada de novas fabricantes no Brasil. Foi neste momento que Peugeot, Citroën, BMW, Hyundai e tantas outras marcas de sucesso efetivamente ingressaram em nosso mercado.

O período também ficou marcado pelo “boom” de um setor automotivo que por muitos anos permaneceu incubado por conta dos impactos da ditadura militar. A indústria se fortaleceu com novas fábricas de Volkswagen, Chevrolet, Suzuki, Ford, Honda e Toyota, e as possibilidades apontavam para um grande futuro.

Três décadas se passaram, e o mercado brasileiro vê novamente o futuro repetir o passado. Partindo disso, a reportagem do iG Carros elege cinco fatos de 2021 que coincidem com o período dos anos 90 . Acompanhe a lista.

1 – Carros seminovos são mais caros que novos

Toyota Corolla híbrido seminovo já está mais caro que o modelo zero quilômetro
Divulgação

Toyota Corolla híbrido seminovo já está mais caro que o modelo zero quilômetro

Ainda no final de 2020, a Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores) emitiu uma nota alertando sobre o risco de desabastecimento nas fábricas brasileiras . Muitas fabricantes chegaram a  paralisar suas linhas de montagem por conta da falta de componentes e da ascensão da segunda onda do novo coronavírus.

Pela falta de veículos novos nas concessionárias e a longa fila de espera, muitos clientes preferem trocar o modelo atual por outro seminovo . Dessa forma, cria-se um desequilíbrio no mercado, onde carros seminovos acabam ficando mais caros que modelos novos . Eis um exemplo:

O Toyota Corolla Altis com motor 1.8 híbrido é oferecido por R$ 151.090 no site oficial da fabricante. Nos classificados online, proprietários do sedã já anunciam o modelo por valores entre R$ 160 e R$ 180 mil, tamanha a fila de espera para retirar a versão zero quilômetro da concessionária. A tendência era muito comum nos anos 90, quando carros eram vistos como investimentos por conta dos preços voláteis.

2 – Valor do carro de manhã é diferente do de noite

VW Polo ficou 5,48% mais caro, sendo o veículo que registrou o maior aumento de preço em 2021
Divulgação

VW Polo ficou 5,48% mais caro, sendo o veículo que registrou o maior aumento de preço em 2021

Um levantamento feito pela KBB Brasil aponta que o Volkswagen Polo foi o modelo que mais subiu de preço em 2021 . Em apenas um mês, o modelo teve variação de 5,48%. No mesmo período, a Caoa Chery aproveitou para subir em 5,42% o preço do Tiggo 5X , enquanto a Toyota elevou em 4,36% os preços do Yaris .

Os preços voláteis remetem ao período da hiperinflação , que teve seu ápice no mês de março de 1990. Foi nessa época que aparelhos de som foram anunciados por 6 milhões de cruzeiros e o pote de margarina chegou a custar 43 mil.

Neste momento, o brasileiro se acostumou a fazer as “despesas” para se proteger da elevação abrupta. Assim que recebiam os salários, era normal que trabalhadores fizessem as compras do mês como defesa dos aumentos repentinos.

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3 – O “retorno” da Autolatina

Apollo e Verona: sedã da Ford serviu de base para modelo feito em parceria com a Volkswagen
Renato Bellote/iG

Apollo e Verona: sedã da Ford serviu de base para modelo feito em parceria com a Volkswagen

Em 1987, Ford e Volkswagen selaram o acordo que criou a Autolatina , a maior joint-venture automotiva da época. As fábricas do grupo foram integradas, com a Volkswagen produzindo veículos para a Ford – como Versailles e Royale – e a Ford produzindo modelos Volkswagen – como Logus e Apollo .

A joint-venture Autolatina era apenas um acordo operacional. As fabricantes continuavam independentes e eram responsáveis pelas vendas de seus próprios veículos. A Volkswagen era dona de 51% da empresa, enquanto a Ford tinha 49%.

A decisão de encerrar a Autolatina foi tomada em 1994 de forma amigável por ambas as fabricantes. Ela foi dissolvida completamente em 1996, e as fábricas de Ford e Volkswagen voltaram a produzir veículos próprios.

Um fato curioso é que durante o Salão de Detroit de 2019, as fabricantes anunciaram uma  nova aliança global para o compartilhamento de tecnologias e integração de produção. A Ford ficará responsável pelos veículos comerciais da Volkswagen, enquanto a marca alemã será encarregada de produzir modelos elétricos para a aliada. Um bom exemplo disso é a próxima geração da Volkswagen Amarok , que terá a mesma base da Ford Ranger.

4 – Jeep bombando

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Divulgação

O “carro dos artistas” Jeep Cherokee fez pescoços virarem durante os anos 90

Toda década tem seu objeto de desejo absoluto. Nos anos 70, o sonho de qualquer jovem era ter um cupê esportivo como Maverick e Opala . No período seguinte, já em 1980, as versões apimentadas de Gol , Escort e Kadett eram as mais desejadas.

Várias marcas tiveram o mesmo status durante os anos 90, mas a partir da metade da década, a Jeep começou a bombar. O modelo Cherokee passou a aparecer nas garagens de todos os artistas, cantores e jogadores de futebol, em um arranjo semelhante ao Range Rover Evoque em meados de 2010.

A partir da fusão da Chrysler com a Fiat , a Jeep voltou a ser objeto de desejo no Brasil. Isso começou em 2015 com o lançamento do Renegade , ganhando ainda mais força com o Compass em 2017. A marca de utilitários aventureiros agora é o grande sonho da classe média brasileira, exatamente como em 1995.

5 – Número de emplacamentos iguala 1997

VW Gol foi o modelo mais vendido do Brasil em 1997; 23 anos depois, repetimos os mesmos números de vendas
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VW Gol foi o modelo mais vendido do Brasil em 1997; 23 anos depois, repetimos os mesmos números de vendas

A indústria automotiva estava se recuperando da crise econômica causada pelo momento turbulento do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O melhor resultado recente foi em 2019, quando foram vendidos 2.262.069 automóveis e 403.514 veículos comerciais leves.

No ano seguinte veio a pandemia do novo coronavírus , interrompendo um processo de crescimento que durava já durava três anos. Segundo a Anfavea, foram emplacados 1.615.942 automóveis e 338.886 veículos comerciais leves em 2020.

O resultado chama atenção pela regressão dos números. Em 1997, a Anfavea divulgou que 1.605.214 automóveis e 268.451 veículos comerciais leves foram emplacados. Ou seja, o descontrole da pandemia fez o resultado total da indústria automotiva regredir 23 anos .

Fonte: IG CARROS

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