Yamaha TZ-350: a evolução da moto de competição feita para o piloto privado

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Yamaha TZ-350: a evolução da moto de competição feita para o piloto privado


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Denísio Casarini, com uma Yamaha TZ 350
Reprodução

Denísio Casarini, com uma Yamaha TZ 350

Assim como a Fórmula 1 já dominou o cenário esportivo nas manhãs de domingo, principalmente no Brasil, quando nossos campeões ainda participavam dos campeonatos mundiais, agora é a vez de outro esporte a motor, bastante radical, atrair torcedores. O MotoGP , que além da acirrada disputa entre os pilotos ainda deslumbra a audiência com um balé de incrível precisão, também tem a sua história.

Ela começou há muito tempo, desde que dois motociclistas resolveram saber quem era mais rápido em uma pista, mas a história mais bacana começou nos anos 60. Assim como nas ruas, as pistas eram dominadas pelas motocicletas inglesas e italianas, quando as japonesas também chegaram às desafiando.

Eu, pessoalmente, vivi um último suspiro da hegemonia das motocicletas européias na pista, acompanhando meu pai em suas primeiras corridas de motocicletas. Ele já era piloto de automóveis há muito tempo, sendo que aquela aventura de competição sobre duas rodas era uma novidade para ele.

Foi no ano de 1969 que levamos a motocicleta com a qual fazíamos curvas na Cidade Universitária – eu na garupa, logicamente -, à cidade de Ribeirão Preto, no interior paulista, para participar de uma corrida de rua. A motocicleta em questão era uma Ducati 250 , de rua, original, mas já com todas as características de uma motocicleta de pista, como, por exemplo, o guidão Tomazelli.

Naquela prova de estreia, as “Duas Horas de Velocidade”, a maioria dos participantes tinham motocicletas italianas e inglesas, mas algumas japonesas especiais de competição já faziam as suas primeiras aparições. Foi quando vimos a primeira Yamaha TD-1 , motocicleta especial de competição produzida na própria fábrica dos modelos de rua.

O piloto era Gualtiero Tognocci, um conhecido campeão de motocicletas. Ao seu lado, outro campeão, Salvatore Amato, também com uma Yamaha TD-1. Mas as velhas de guerra ainda estavam lá, como a Norton Manx de Francisco Sircilli, a Ducati 250 de Adalberto Ayres, o Chupeta, e uma que até me amedrontou, a Ducati 350 Desmodrômica de Luiz Latorre.

Expedito Marazzi e a Yamaha TZ 350 de Eugênio Handa
Arquivo pessoal

Expedito Marazzi e a Yamaha TZ 350 de Eugênio Handa

As novas motocicletas japonesas eram lindas e incrivelmente rápidas. Mas nenhuma chegou ao final da prova, pois não suportaram o fortíssimo calor interiorano daquele dia. Em primeiro lugar, Luiz Latorre, com Ducati 350 e, a surpresa, em segundo lugar, meu pai e sua Ducati 250 de rua.

Na segunda corrida, também nas ruas de uma quente cidade no interior paulista, Araraquara, aconteceu a mesma coisa, as Yamaha TD-1 ainda não estavam bem adaptadas ao clima tropical, de forma que nossa Ducati chegou em terceiro lugar.

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A partir do ano seguinte, o Autódromo de Interlagos voltou a funcionar, depois de dois anos fechado para uma reforma interminável. E também a partir daí, as Yamaha TD-1 e TD-2 , de 250 cm3, rapidamente começaram a dominar. E as europeias praticamente sumiram das pistas.

Em Interlagos, com sua própria Yamaha TZ 350, Marazzi (60) ao lado de Iasi e Polé
Arquivo pessoal

Em Interlagos, com sua própria Yamaha TZ 350, Marazzi (60) ao lado de Iasi e Polé

Depois das TD, chegaram as TR-3 , com motor de maior cilindrada, de 350 cm3. Gualtiero já tinha uma dessas e vendeu sua TD-2 para meu pai, que começou a correr com ela em Interlagos, ao lados dos velhos pilotos e dos novos, como Tucano e Denísio, em começo de carreira.

A evolução natural veio com a Yamaha TR-3, bem mais rápida, nas provas seguintes. As duas motocicletas eram iguais de quadro e suspensões, diferindo apenas no motor maior e mais potente. Para ser uma motocicleta acessível, muito componentes eram comuns às motocicletas de rua da marca. Mas a evolução foi mais rápida e ele logo teve que trocar sua TR-3 pela novidade que havia acabado de chegar: a Yamaha TZ 350.

A Yamaha TZ 350 era a evolução de TD e TR, com um diferencial de peso: a refrigeração a água. Para continuar sendo acessível aos pilotos, a TZ também compartilhava componentes com a sua versão de rua, que na época já era a temível Yamaha RD 350 , conhecida como “viúva negra”. Mesmo com menos da metade da cilindrada, essas motocicletas, tanto a versão de rua quanto a de pista, historicamente davam muito trabalho às motocicletas muito maiores, de 750 cm3 ou mais.

Expedito Marazzi e a Yamaha TZ 350 de Eugênio Handa
Arquivo pessoal

Expedito Marazzi e a Yamaha TZ 350 de Eugênio Handa

A Yamaha TZ 350 era tão melhor que suas antecessoras, e também que suas rivais, que, em seu primeiro ano, o piloto Jarno Saarinen venceu as 200 Milhas de Daytona com uma delas, derrotando todas as motocicletas maiores e mais potentes. Foi isso que consolidou sua fama e tornou a Yamaha TZ 350 um grande sucesso.

As primeiras Yamaha TZ 350, de 1973 a 1975 (TZ 350 A e TZ 350B), eram idênticas às TD e TR, inclusive com suspensão traseira de dois amortecedores e o enorme freio dianteiro a tambor. A única diferença era a refrigeração a água. Nas versões seguintes, de 1976 a 1978 (TZ 350C, TZ 350D e TZ 350E), a TZ já vinha com o freio dianteiro a disco e a suspensão traseira monoamortecida.

Na terceira geração, de 1978 a 1982 (TZ 350F, TZ 350G e TZ 350H), a Yamaha TZ 350 já tinha quadro melhorado e mais leve, e a partir de então a motocicleta não receberia mais melhorias, devido ao anúncio que a categoria de 350 cm3 não faria mais parte do campeonato mundial. Foi quando a Yamaha passou a investir na TZ 250, que continuaria como uma categoria no mundial. A primeira versão, a TZ 350A, de 1973, tinha 60 cv de potência e, última versão, a Yamaha TZ 350H, de 1981, tinha potência de 72 cv.

Bob Keller, vice-campeão em 2020 no ICGP, campeonato internacional de clássicas de competição
Divulgação

Bob Keller, vice-campeão em 2020 no ICGP, campeonato internacional de clássicas de competição

Atualmente, existe um campeonato mundial de motocicletas clássicas, o ICGP – International Classic Grand Prix, cuja maior estrela é justamente a Yamaha TZ 350. E temos um representante brasileiro, Bob Keller, que corre com uma Yamaha TZ 350 . No ano passado, ele sagrou-se vice-campeão na categoria.

Diferentemente de como ocorre o MotoGP nos dias de hoje, naqueles áureos tempos a categoria máxima do motociclismo não exigia investimentos vultosos para os pilotos e para as equipes, e isso foi fundamental para a consolidação da categoria e das equipes.

Fonte: IG CARROS

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