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Por que o perdão a Johnny Depp é mais rápido do que o de Amber Heard?

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Por que o perdão a Johnny Depp é mais rápido do que o de Amber Heard?


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Julgamento entre Johnny Depp e Amber Heard chegou ao fim nesta quarta-feira (1)
Reprodução – 01.06.2022

Julgamento entre Johnny Depp e Amber Heard chegou ao fim nesta quarta-feira (1)


O polêmico julgamento entre Johnny Depp e Amber Heard chegou ao fim na quarta-feira (1º), quando o júri decidiu pela condenação de ambos por difamação mútua. A sentença foi mais desfavorável à atriz, que precisará pagar US$ 10 milhões para o ex-marido, enquanto deve receber US$ 2 milhões do ator. Não só a deliberação prejudicou a estrela de “Aquaman”, já que a imagem dela também foi massacrada ao longo dos dias que enfrentava a batalha judicial.

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No último dia de depoimento, Amber expôs a perseguição que sofreu com o caso, já que recebeu diversas ameaças de morte, além das críticas que se tornaram constantes entre o público que acompanhava o processo nas redes sociais. A psicóloga Jeanine Feitosa expõe como isso se deve ao fato de que “infelizmente, não é necessário muito para tornar uma mulher a vilã”.


“Ainda quando vemos relações em que o casal em si se apresenta como problemático ou mesmo violento, esses são comportamentos socialmente passíveis de compreensão quando vindos de um homem, porque remetem a uma confirmação de masculinidade. Mas quando é uma mulher assumindo esse lugar, ela dificilmente será poupada”, diz em entrevista ao iG Gente.

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Jeanine analisa como essa situação reflete a facilidade dos homens em receber o perdão muito mais fácil, mesmo em uma situação de abuso mútuo: “Quando falamos sobre os grupos de mulheres enquanto ‘minoria’, estamos falando sobre quem detém o poder, ou seja, o homem-branco-hétero. Desde o início Amber não teve muita credibilidade, e mesmo apurando-se que houve violência dos dois lados, ainda parece que há uma voz masculina de fundo sugerindo um ‘olha só o que você me fez fazer’, para se eximir da parte responsável. Mesmo ficando evidente que ambos eram tóxicos, para Deep o perdão vem muito rápido, mas para Heard o erro é irreparável”.

Ainda observando os reflexos que um julgamento como este apresenta na sociedade, a psicóloga reconhece a existência de um “pacto subentendido nas relações com homens”, no qual as mulheres podem se sentir protegidas pelos pares. Por conta disso, ela enxerga que a decisão do processo pode se tornar um exemplo prejudicial para outras vítimas de abuso, que decidem relatar o que já sofreram.

“Isso faz com que assim não haja muita mobilização na luta por outras de nós, (principalmente pretas e não-brancas). Então, sim, acredito que esse caso pode repercutir de modo a desencorajar reais vítimas de abusos. Afinal, se ‘a famosa, branca e loira’ está sendo atacada de todas as formas, para quem não se encaixa nesse perfil, será que há chances de ser ouvida? […] São em ocasiões como essa que notamos a fragilidade desse ‘pacto’, ao sermos deixadas sozinhas e por conta própria. Enquanto não nos conscientizarmos que a luta de uma precisa ser de todas, isso se manterá”, reflete.

A batalha entre Depp e Heard também foi palco de outras discussões psicológicas. A equipe do ator chamou a psicóloga forense Shannon Curry para julgar a saúde mental da atriz, profissional que acreditava que ela sofria de transtorno de personalidade limítrofe e transtorno de personalidade histriônica. Os diagnósticos foram rejeitados pela psicóloga Dawn Hughes, que testemunhou em nome da equipe jurídica de Amber.

No entanto, as contestações foram suficientes para o público tirar as próprias conclusões, o que Jeanine analisa com receio. “Ainda quando confirmado, um diagnóstico não pode (ou ao menos não deve) ser considerado enquanto um ponto de chegada, para assim justificar algumas questões e acomodar a não buscar outros meios. Mas como ponto de partida para poder verificar de que modo a pessoa com o transtorno pode se tratar para ter uma vida e relações saudáveis. O meu receio nesse sentido é que saiam criando diagnósticos sobre si ou sobre os outros sem suporte profissional, como vejo muitas pessoas fazerem quando banalizam a ‘bipolaridade’, a exemplo”.

“Isso me preocupa de forma negativa, como ao pensar na cultura de cancelamento. Pude ver brevemente algumas análises de expressão corporal/facial, julgamentos colocando suposições enquanto certezas inquestionáveis. E isso é muito arriscado, porque uma coisa é levantar hipóteses sobre um caso, outra é criar verdades absolutas. As pessoas muitas vezes querem encontrar um culpado para despejar toda sua revolta e mal-estar, mas isso pode nos fazer esquecer que alguns casos são bem mais complexos para serem interpretados de forma tão rasa”, pontua.

Jeanine Feitosa ainda concluiu trazendo o papel profissional que um psicólogo tem em uma relação de abuso mútuo, como no caso de Johnny Depp e Amber Heard: “No atendimento a casais, independentemente da demanda trazida, o psicólogo faz suas intervenções para ambas as partes, sem privilegiar uma em detrimento da outra, e inclusive frustrando tentativas de manipulação, convocando-as a se auto responsabilizar por atitudes e eventuais e respectivas consequências destas no relacionamento, pensando de modo conjunto em como se tornarem mais resolutivos”.

Fonte: IG GENTE

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