A centésima edição da Corrida de São Silvestre celebra um século de tradição

A centésima edição da Corrida de São Silvestre celebra um século de tradição com recorde de inscritos e resgata a história de um dos eventos esportivos mais emblemáticos do Brasil.


A cidade de São Paulo se prepara para viver um momento histórico no dia 31 de dezembro de 2025: a centésima edição da Corrida Internacional de São Silvestre. Com mais de 50 mil corredores inscritos, a prova bate recordes e reafirma sua posição como a maior corrida de rua da América Latina.

A origem da São Silvestre remonta a uma noite inspiradora em Paris, em 1924, quando o jornalista, empresário e advogado Cásper Líbero assistiu a uma corrida noturna em que os atletas empunhavam tochas, criando um espetáculo de luz e emoção. Encantado com a experiência, ele decidiu trazer a ideia para o Brasil. Assim, no dia 31 de dezembro de 1925, nascia a primeira edição da prova, batizada em homenagem a São Silvestre, o santo celebrado nessa data.

Na estreia, apenas 48 corredores participaram da competição, que percorreu 8,8 km pelas ruas paulistanas. O vencedor foi Alfredo Gomes, um atleta negro que já havia representado o Brasil nas Olimpíadas de 1924. Desde então, a corrida só deixou de ser realizada em raríssimas ocasiões, como durante a Segunda Guerra Mundial e em momentos de crise sanitária.

Ao longo de um século, a São Silvestre passou por diversas transformações. Inicialmente disputada à noite, a prova foi transferida para o período da manhã em 1989, por questões de segurança e logística. O percurso também foi ajustado ao longo dos anos, mas a largada e chegada na Avenida Paulista permanecem como marcas registradas do evento.

A edição de 2025 não é apenas uma celebração do passado, mas também um reflexo da popularização do esporte. Segundo Eric Castelheiro, diretor-executivo da corrida, a São Silvestre sempre teve uma vocação popular, reunindo desde atletas de elite até corredores amadores de todas as idades e origens. “É uma festa democrática do esporte, onde o importante é participar”, afirma.

Além da corrida principal, o evento conta com a São Silvestrinha, voltada para crianças, e uma série de atividades culturais e esportivas que movimentam a cidade nos dias que antecedem a prova. A Expo Atleta, por exemplo, oferece palestras, estandes de marcas esportivas e serviços para os corredores, como retirada de kits e orientações sobre o percurso.

A centésima edição também é marcada por homenagens à trajetória da corrida e à figura de Cásper Líbero, cujo legado vai além do jornalismo e alcança o universo esportivo. Seu espírito inovador e sua paixão pelo atletismo transformaram a São Silvestre em um símbolo da virada de ano no Brasil.

Com o sol escaldante típico do verão paulistano, a prova exige preparo físico e mental dos participantes. Mas, para muitos, o desafio vai além da competição: é uma celebração da vida, da superação e da união por meio do esporte. A São Silvestre é, mais do que nunca, um patrimônio cultural e esportivo do país.