Bia Haddad cai na estreia em Adelaide, mas Stefani avança nas duplas e Fonseca será cabeça de chave no Australian Open

Bia Haddad cai na estreia em Adelaide, mas Stefani avança nas duplas e Fonseca será cabeça de chave no Australian Open

A temporada 2026 do tênis brasileiro começou com emoções mistas. Beatriz Haddad Maia foi eliminada na estreia do WTA 500 de Adelaide, enquanto Luisa Stefani avançou nas duplas ao lado da tcheca Marie Bouzkova. Já João Fonseca, aos 19 anos, será cabeça de chave no Aberto da Austrália, feito que o Brasil não alcançava há mais de uma década.

Nesta segunda-feira (12), o tênis brasileiro deu seus primeiros passos na temporada 2026 com participações importantes no WTA 500 de Adelaide, torneio preparatório para o Aberto da Austrália. A principal representante do país em simples, Beatriz Haddad Maia, acabou sendo eliminada logo na estreia. A paulista de 27 anos perdeu de virada para a jovem canadense Victoria Mboko, por 2 sets a 1, com parciais de 5/7, 6/3 e 6/2.

Haddad, que encerrou a temporada passada de forma antecipada para cuidar da saúde mental, ainda busca retomar o ritmo ideal. A queda precoce em Adelaide não compromete sua participação no Australian Open, onde está confirmada, embora fora da lista de cabeças de chave. Atualmente, ela ocupa a 39ª posição no ranking da WTA.

Se Haddad teve um início frustrante, Luisa Stefani começou 2026 com o pé direito. Jogando ao lado da tcheca Marie Bouzkova, a brasileira venceu com autoridade a dupla formada pela estoniana Ingrid Neel e pela norueguesa Ulrikke Eikeri, por 2 sets a 0 (6/3 e 6/0), e avançou às quartas de final do torneio australiano.

A parceria entre Stefani e Bouzkova surgiu após uma lesão da canadense Gabriela Dabrowski, parceira habitual da brasileira. “A Marie é uma jogadora sólida, que naturalmente complementa a maneira que jogo. Tivemos uma ótima química desde o início e fizemos uma boa estreia. Feliz de começar o ano com a vitória de hoje e animada com a próxima rodada”, comentou Stefani após a partida.

O próximo desafio da dupla será contra as cabeças de chave número 4, a cazaque Anna Danilina e a sérvia Aleksandra Krunic, em confronto previsto para o fim da noite de terça (13) ou início da madrugada de quarta (14), no horário de Brasília.

Stefani e Dabrowski retomaram a parceria para o circuito de 2026 após um hiato de dois anos. Juntas, elas conquistaram títulos importantes entre 2020 e 2023, como o WTA 1000 de Montreal, além de vice-campeonatos em Cincinnati e San Jose.

No masculino, a dupla gaúcha formada por Rafael Matos e Orlando Luz também estreia nesta segunda-feira (12) no ATP 250 de Adelaide. Eles enfrentam a forte parceria do norte-americano Austin Krajicek com o croata Nicola Mektic, a partir das 21h30 (horário de Brasília).

Enquanto isso, o jovem João Fonseca vive um momento histórico. O carioca de 19 anos será o cabeça de chave número 28 no Aberto da Austrália, que começa no próximo domingo (18), em Melbourne. Fonseca aparece na 30ª posição do ranking da ATP, mas com as desistências de Jack Draper (11º) e Holger Rune (16º), herdará uma das vagas entre os 32 principais pré-classificados do torneio.

Esse feito marca o retorno de um brasileiro à condição de cabeça de chave em um Grand Slam após 11 anos — o último havia sido Thomaz Bellucci no US Open. Fonseca, que se recupera de dores lombares, ficou fora dos torneios de Brisbane e Adelaide, mas deve chegar em boas condições para sua estreia em Melbourne.

Qualificatório para Melbourne

Em busca de uma vaga na chave principal do Grand Slam australiano, o paranaense Thiago Wild (216º no ranking) encara o equatoriano Álvaro Guillen Meza (193º) na primeira de três rodadas do qualificatório, a partir das 20h desta segunda (12). Wild tenta repetir o feito de 2023, quando surpreendeu ao vencer partidas duras em Roland Garros e alcançar a segunda rodada do torneio francês. O brasileiro aposta em seu potente saque e no jogo agressivo de fundo de quadra para superar o adversário sul-americano e seguir vivo na briga por um lugar na chave principal.

No domingo (11), o paulista Gustavo Heide (238º) estreou com vitória no quali ao bater o britânico Jay Clarke (178º) por duplo 6/3. Heide volta à quadra nesta terça-feira (13), às 20h, para enfrentar o croata Dino Prizmic (127º), em duelo que promete ser mais exigente. Já os compatriotas João Lucas Reis e Laura Pigossi não tiveram a mesma sorte e foram eliminados na primeira rodada. Reis caiu diante do português Henrique Rocha, enquanto Pigossi foi superada pela chinesa Lin Zhun.

O qualifying do Australian Open é uma das últimas oportunidades para tenistas fora do top 100 garantirem presença no primeiro Grand Slam do ano. Com três rodadas eliminatórias, apenas os mais consistentes avançam à chave principal, que reúne os melhores do mundo em Melbourne.

O tênis brasileiro inicia 2026 com um cenário promissor, apesar de alguns tropeços. A eliminação precoce de Bia Haddad é um alerta, mas não apaga o otimismo em torno de nomes como Luisa Stefani, que segue firme nas duplas, e João Fonseca, que já entra para a história como cabeça de chave em um Grand Slam. A nova geração mostra força e ambição, enquanto atletas como Thiago Wild e Gustavo Heide seguem batalhando por espaço. Com o Australian Open se aproximando, a expectativa é de que o Brasil tenha representantes competitivos tanto nas chaves principais quanto nas duplas — e, quem sabe, protagonistas de grandes campanhas.