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© Marcio Rodrigues/MPIX/CPB/Direitos Reservados

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Nesta segunda-feira (27), era para os olhos do mundo estarem voltados para o terceiro dia de provas da Olimpíada de Tóquio. Porém, a pandemia do novo coronavírus (covid-19) obrigou os Jogos na capital japonesa – Paralimpíada inclusa – a serem adiados para 2021. Se tudo der certo, claro, já que os discursos dos Comitês Olímpico Internacional (COI) e Organizador do evento são de cada dia menos certezas por causa da dificuldade para controle do vírus.ebcebc

Ocorre que seis meses após Tóquio, será a vez de Pequim receber a Olimpíada (fevereiro de 2022) e a Paralimpíada de Inverno (março de 2022). Pelo menos até agora, os eventos não sofreram alteração, apesar do membro mais antigo do COI, o canadense Dick Pound, ter declarado à agência de notícias Reuters que, se a covid-19 não estiver controlada na ocasião dos Jogos no Japão, o impacto nas disputas marcadas para a capital chinesa será inevitável. O país asiático, marco zero da pandemia, registrou no domingo (26) o maior número de novos casos em quase cinco meses.

“Não sabemos o que vai acontecer daqui a alguns dias, então não dá para falar com certeza. Porém, acredito que, se os Jogos de 2020 foram adiados, possivelmente os de inverno possam ser adiados também pela estrutura que tem que ter cada evento, por serem eventos grandiosos”, declara à Agência Brasil Cristian Ribera, atleta brasileiro do esqui cross country paralímpico, espécie de maratona na neve.

O Brasil, por razões climáticas e financeiras, passa longe de ser um país de peso no cenário dos esportes de inverno. Contudo, em Pequim há uma possibilidade real de se fazer história, e de ela ser escrita exatamente por Cristian. Em Pyeongchang, na Coreia do Sul, há dois anos, ele atingiu o maior resultado brasileiro em Jogos de Inverno (olímpicos ou paralímpicos) com o sexto lugar na prova de 15 quilômetros do cross country, para atletas que competem sentados.

De lá para cá, ele se firmou entre os principais nomes da modalidade, pois concluiu a temporada 2019/2020 como vice-campeão da Copa do Mundo, com duas medalhas de prata no circuito, e em quinto no ranking mundial. “É uma surpresa, ainda mais porque o esporte é novo. Mas temos nos esforçado bastante, eu e meu técnico. Acho que é fruto de muito trabalho”, diz o jovem de 17 anos, que nasceu com artrogripose, doença que limita as articulações das pernas.

Sim, você não leu errado, ele tem apenas 17 anos. Cristian disputou a primeira Paralimpíada da carreira com apenas 15 primaveras completas, sendo o mais novo entre os 570 atletas em Pyeongchang. Significa que ele poderá competir nos Jogos pela segunda vez tendo menos de 20 anos. “Experiência é sempre importante, mas isso não quer dizer que conseguirei um resultado melhor [por isso]. Tenho que sempre buscar melhorar e nunca acomodar. No esporte é assim: se você não treina, outro treina no seu lugar e ganha de você”, analisa.

 
 
 

 
 
 
 
 

 
 

 
 
 

Um dia simplesmente inesquecivel, hj foi o dia do brasil estrear no jogos paralimpicos de inverno, a primeira prova foi a de long distance (15kms), prova onde consegui conquistar o 6° lugar entre 29 atletas. Algo extremamente emocionante pra mim e para o nosso brasil, e acho que posso dizer que representei bem nosso Brasil. Queria agradecer muito a torcida de todos, as mensagens de incentivo que recebi me ajudaram bastante, a todos os membros da delegaçao que se preocupam em ajudar o time, e principalmente a minha familia e professores?❤????? MUITO OBRIGADO BRASIL!!! [email protected] vlw pelas fotos, sensacionais!!! #paralympicgames #paranordic #pyeonchang2018 #sitting #sitski #teambrasil #familiawr

Uma publicação compartilhada por Cristian WR (@cristian.w) em 11 de Mar, 2018 às 5:23 PDT

Por isso, o jovem treina o máximo que pode, mesmo atrapalhado pelas restrições da pandemia. Ele mora em Jundiaí, cidade do interior paulista onde, até a semana passada, só estava liberada pelo governo do estado de São Paulo a abertura de serviços essenciais. O jeito tem sido trabalhar em casa, duas vezes por dia, de segunda-feira a sábado. “Treinamos com elástico a parte do rollerski [esqui com rodinhas, que simula, no asfalto, o praticado em neve] e do cross country. Como também faço atletismo, uso o rolo de treino. Tive que adaptar a musculação com saco de arroz”, diz.

Desafios não são exatamente uma novidade para Cristian. Por conta da artrogripose, ele teve que passar por 21 cirurgias, a última quando tinha 11 anos. A vinda para São Paulo, aos três meses de vida, tem a ver com o tratamento. Ele nasceu em Cerejeiras, cidade próxima à fronteira com a Bolívia, em Rondônia. A prática esportiva em si surgiu como complemento à fisioterapia. Já o esqui, apresentado a ele em um projeto da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) com a Fundação Agitos, braço educacional do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês), mudou a vida.

O maior incentivo para transformar o esporte em carreira veio da mãe, Solange, por quem o jovem nutre enorme gratidão: “Ela é meu porto seguro. Sempre batalhou, esteve comigo na luta, buscando o melhor para mim e meus quatro irmãos. Nossa vida nunca foi fácil. Ela é uma das pessoas mais importantes da minha vida, sempre me apoiou, incentivou, nunca me deixou desistir, dando aquele ânimo. É uma guerreira, a mulher que mais amo na vida”, disse Cristian, que em 2018, imediatamente após o resultado histórico na Coreia do Sul, contatou a mãe para agradecê-la “por cada centavo gasto [com ele]”.

A previsão, segundo o IPC, é que o calendário do esqui cross country paralímpico seja retomado em dezembro, com a abertura da Copa do Mundo, em Östersund (Suécia). Outras três etapas estão marcadas para o período de janeiro a março do próximo ano. Uma delas, inclusive, será em Pequim, onde Cristian quer estar também em 2022 para os Jogos. Quem sabe, uma outra ligação emocionada esteja a espera de dona Solange, desta vez com uma inédita medalha paralímpica no peito.

Edição: Fábio Lisboa

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