Etíope e Tanzaniana brilham na centésima São Silvestre; brasileiros encantam com garra e superação
Emoção na Avenida: Etíope e Tanzaniana brilham na centésima São Silvestre; brasileiros encantam com garra e superação
A centésima edição da Corrida Internacional de São Silvestre foi marcada por emoção, superação e reviravoltas eletrizantes. Na manhã desta quarta-feira (31), em São Paulo, o etíope Muse Gizachew e a tanzaniana Sisilia Panga conquistaram o lugar mais alto do pódio, enquanto os brasileiros Fábio Jesus e Núbia de Oliveira emocionaram o público com desempenhos aguerridos e inspiradores, garantindo o terceiro lugar em suas categorias.
A Avenida Paulista amanheceu em festa. Milhares de corredores e espectadores se reuniram para celebrar a 100ª edição da São Silvestre, a mais tradicional corrida de rua da América Latina. E como não poderia deixar de ser, a prova foi um espetáculo de resistência, estratégia e emoção do início ao fim.
Na prova masculina, o etíope Muse Gizachew protagonizou um dos momentos mais eletrizantes da história da competição. Com um sprint final nos últimos 50 metros, ele ultrapassou o queniano Jonathan Kipkoech e cruzou a linha de chegada com o tempo de 44min28s, garantindo o título da edição centenária. Kipkoech, que liderava até então, terminou em segundo lugar com 44min32s. O brasileiro Fábio Jesus Correia, natural da Bahia, completou o pódio com 45min06s, arrancando aplausos calorosos da torcida.
“É muito treino e muita dedicação para a gente chegar aqui. Brigar com os africanos não é fácil. A gente treina demais, se dedica demais. Que pena que o Brasil não incentiva o esporte que é o atletismo, um esporte tão importante. Eu treino na rua, porque não liberam as pistas para a gente participar”, desabafou Fábio, emocionado, após a prova.
No feminino, a hegemonia queniana foi quebrada por Sisilia Ginoka Panga, da Tanzânia, que voou baixo pelas ruas paulistanas e venceu com o tempo de 51min08s. A queniana Cynthia Chemweno ficou com a prata (52min31s), enquanto a brasileira Núbia de Oliveira, repetindo o feito de 2024, garantiu o bronze com 52min42s — 42 segundos mais rápida do que no ano anterior.
“Foi uma excelente prova. Meu objetivo era chegar aqui e ser melhor que no ano passado, e graças a Deus consegui melhorar minha marca. Mas o objetivo que vim buscar aqui, o lugar mais alto do pódio, não saiu este ano, mas tenho fé que isso vai acontecer”, declarou Núbia, com brilho nos olhos e esperança renovada.
A centésima edição da São Silvestre não foi apenas uma corrida, mas uma celebração da história do atletismo de rua no Brasil. Desde sua primeira edição, em 1925, a prova se tornou um símbolo do esporte nacional, reunindo atletas de elite e amadores em uma festa democrática e vibrante.
O domínio africano, especialmente de etíopes e quenianos, se manteve firme ao longo da última década. No entanto, a presença constante de brasileiros no pódio, como Fábio e Núbia, mostra que o país ainda pulsa forte no coração da corrida. A última vitória brasileira no masculino foi em 2010, com Marílson Gomes dos Santos, e no feminino, em 2006, com Lucélia Peres.
O Top 5 masculino foi completado por William Kibor (45min28s) e Reuben Poghisho (45min46s), ambos do Quênia. No feminino, Gladys Pucuhuaranga, do Peru (53min50s), e a queniana Vivian Kiplagati (54min12s) fecharam o grupo das melhores.
A São Silvestre 2025 também foi marcada por homenagens aos grandes nomes que fizeram história na prova, com ex-campeões desfilando em carros alegóricos e sendo ovacionados pelo público. A emoção tomou conta da avenida quando imagens de conquistas passadas foram projetadas em telões, lembrando que cada passo dado ali carrega décadas de suor, sonhos e conquistas.
Na linha de chegada, mais do que vencedores, estavam heróis. Muse Gizachew e Sisilia Panga entraram para a história como os campeões da centésima São Silvestre, mas foi a energia contagiante do público, a garra dos atletas brasileiros e a celebração da diversidade que transformaram esta edição em um marco inesquecível. Que venham os próximos 100 anos — porque correr, afinal, é mais do que competir: é resistir, sonhar e seguir em frente.
