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Apenas 1/4 das mulheres brasileiras fizeram mamografia em 2022

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A recomendação de mamográfias para o Brasil, é entorno de 11.5 milhões
Envato Elements/Divulgação

A recomendação de mamográfias para o Brasil, é entorno de 11.5 milhões

Segundo dados levantados do mês de janeiro deste ano até o mês de julho, pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), somente 1/4 das mulheres brasileiras com mais de 50 anos fizeram a mamografia. Foram realizadas apenas 1.108.249 milhão de mamografias em todo o Brasil. Enquanto, em 2017, ano anterior ao começo da pandemia, o número de exames feitos foram de 2.7 milhões. 

Apesar da quantidade de mamografias feitas em 2017 já estar abaixo da recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que recomenta uma cobertura de pelo menos 70% das mulheres com mais de 50 anos, a taxa de exames feitos na primeira metade de 2022 conseguiu cair ainda mais.  

Para a Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Rio de Janeiro,  Maria Julia Calas, a causa dessa queda na procura por mamografias é multifatorial. Entretanto, ela destaca dois problemas que acabam sendo determinantes: a falta de conhecimento sobre o câncer de mama e a sua prevenção e a desigualdade no acesso à saúde. 

“Existem algumas questões de ordem burocrática, a falta de informação, a falta do passo a passo, a falta de orientação de como e onde fazer e como esse exame é feito, existe. Apesar das campanhas do Outubro Rosa, existe uma população que desconhece a importância da realização da mamografia e o passo a passo para realização, seja via SUS ou Sistema Privado”, explica a especialista. 

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“A segunda situação são as questões de diferenças regionais, com relação a equipamentos disponíveis, a qualidade dos equipamentos, e também toda a equipe que é precisa, como um técnico para realizar o exame, um médico para fazer o diagnóstico, de um filme para impressão para ser entregue para a paciente. E isso por vezes, quando vemos o Brasil como um todo, nossas diferenças regionais, sabemos que é dispare, e, infelizmente, existem muitas mulheres que não realizam o exame. Além das questões burocráticas de informação, existe também, por parte das pacientes, o medo da dor do exame da mamografia, porque é um exame que contém uma compressão e para aquelas que têm mamas sensíveis é mais incômodo”, fala a profissional da saúde. 

A médica também explica que a falta de adesão da mamografia afeta diretamente as taxas de mortalidade da doença. Pois, uma vez que ela é descoberta em seu estágio inicial, as suas chances de cura são de 95%. No entanto, quanto mais o tempo passa, mais difícil fica a recuperação. 

“Quanto mais avançado esse diagnóstico do tumor, pior é o prognóstico. Precisamos, por vezes, de tratamentos mais radicais, como quimioterapia, radioterapia, cirurgias mais radicais, com isso, gerando mais custos, menos qualidade de vidas para as pacientes, e impacto na sobrevida, ou seja, quanto mais tardio o diagnóstico, menor a chance de sobrevivência. As pessoas também têm medo do diagnóstico, aquele famoso ditado, ‘quem procura, acha’, mas se achar, vai achar em uma fase inicial, com mais de 95% de chance de cura quando diagnosticado precocemente” aponta Calas. 

Além disso, a profissional da saúde alerta que, apesar do autoexame ser importante para a mulher conhecer o próprio corpo e perceber quando algo está errado, ele não substitui de maneira alguma a mamografia.

“A literatura já mostra que apenas a realização do autoexame, não diminui a taxa de mortalidade do câncer de mama porque quando é diagnosticado, já é diagnosticado com um tumor palpável, um estágio mais avançado. Nós temos algumas situações: Primeiro, a paciente faz o seu autoexame, ela não detecta nenhuma alteração, ela deixa de fazer a mamografia de rastreiro porque considera que, como não palpou nada, não sentiu nada, ela não precisa fazer mamografia, então ela não faz e não detecta um câncer inicial”, afirma a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Rio de Janeiro.

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“A segunda situação é quando ela faz o autoexame e detecta alguma alteração, ela fica muito angustiada e ansiosa, e acaba fazendo muitos exames desnecessários, por essa angústia. Acaba aumentando o custo. E a terceira situação é que, quando apalpamos um nódulo acima de 1 cm, quando conseguimos sentir ao toque, já é um tumor palpável, a gente perde a chance do diagnóstico precoce. O autoexame não substitui a mamografia. A mamografia, que é o Raio X das mamas, é o exame que detecta mais precocemente o câncer, que não necessariamente vai se manifestar como nódulo. O exame que detecta o câncer mais precocemente é a mamografia”,  conclui a especialista.

Fonte: IG Mulher

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