Esgotamento mental, medo e orgulho: o que vivem os pais profissionais da saúde

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A rotina de trabalho é diferente, mas o casal Solange Schenfeld, 36 anos, e Kylder Schenfeld, 36, tem algo em comum: o esgotamento mental e saudade da família. Ambos são da área da saúde e atuam no combate à Covid-19. Ela é nutricionista hospitalar e ele, enfermeiro de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na Zona Sul da capital. Ao Delas, eles contaram com detalhes os desafios do dia a dia para conciliar profissão e família.

solange e kylder
Arquivo pessoal

Solange, nutricionista, e o marido, Kylder, enfermeiro

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Conversei primeiro com Solange. Depois de um dia intenso no hospital, a nutricionista chegou em casa, passou pelo longo ritual de limpeza (sapatos desinfetados com água sanitária, roupas isoladas na lavanderia e direto para o banho) e me ligou. “Desde que o  novo coronavírus começou , a nossa vida virou de ponta cabeça”, fala.

Como tanto ela quanto o marido são da área da saúde, desde março as crianças, Heloíse, 6 anos, e Guilherme, 2, estão morando com os avós. Solange os vê bem pouco e quando vai visitá-los, fica distante para evitar um possível contágio. “Emocionalmente falando, eu estou arrebentada. É a palavra que define melhor. Estar longe das pessoas que você ama te destrói. Fisicamente, cansada pela rotina puxada no trabalho”.

A nutricionista conta que o hospital onde trabalha está dedicado exclusivamente ao atendimento de pessoas com Covid-19, o que faz a tensão ser ainda maior. Com mais trabalho e preocupações, ela reflete: “É você abdicar da sua vida para cuidar da vida das outras pessoas. É difícil, mas é algo que dá orgulho. Você ajuda a salvar vidas e é muito compensador pensar dessa forma. Por outro lado, ficar longe da família te arrasa. É uma mistura de orgulho com medo”.

Embora as dificuldades sejam muitas, ela afirma que não pretende fugir da luta. “Eu fiz um juramento e vou cumprir independente do que aconteça. Não é o momento de dar as costas. Apesar de todo o sofrimento emocional, nós temos muita gratidão ao trabalho”.

Kylder concorda. Para ele, o lema dos profissionais de saúde é “verás que um filho teu não foge à luta”. O enfermeiro conta que, embora o desgaste emocional seja uma realidade entre os colegas , a força para seguir no enfrentamento à doença continua firme. “Não há possibilidade nenhuma de fugir dessa luta e dessa obrigação”, afirma.

Ele detalha que a rotina na UBS é intensa e constantemente repensada para se adequar às novas necessidades que o cenário apresenta. Outra dificuldade é ver de perto pacientes e colegas adoecendo. “O esgotamento emocional dos profissionais da área da saúde está muito forte. Tentamos relaxar no nosso momento social, no almoço, por exemplo, mas é difícil”.

Além disso, ainda tem a falta das crianças. “Eu tento ao máximo chegar no trabalho e não pensar em como estão meus filhos. E quando saio do trabalho, tento ao máximo esquecer o profissional e procurar saber deles. Eu tento separar. Caso contrário, minha saúde mental e psicológica vai a esgotamento total”.

Em casa, também não é fácil. Além da rotina de limpeza que também segue, Kylder conta que ele e a esposa tentam manter certo distanciamento, pois, embora ambos sejam da área da saúde, estão em realidades diferentes. 

O impacto nas crianças

Tanto Solange quanto Kylder relatam com pesar a forma como a pandemia está afetando os filhos. “É uma sensação de impotência”, fala o pai ao relatar como os pequenos estão lidando com o momento. Como Guilherme ainda é muito novo, não entende exatamente o que está acontecendo, mas a mãe diz que ele está mais estressado.

Já Heloíse, está sentindo bastante a falta dos pais, principalmente porque antes eles costumavam fazer programas especiais aos finais de semana e até dormir juntos. “Ela está com olheiras, não consegue dormir direito e quando dorme, tem pesadelos. Não está comendo direito… Desregulou totalmente a vida dela”, fala Solange.

“Eu fico de mãos atadas, porque não há uma previsão de quando isso vai acabar”, completa. Outro ponto que está sendo afetado é a educação dos filhos. Com as aulas à distância, a dificuldade para acompanhar o conteúdo aumenta. E ainda tem o fato de que os pais não conseguem estar por perto. “A gente fica em um labirinto sem saída. Se eu te disser que sei o vou fazer ou se eu tenho planos, eu não tenho”, diz a nutricionista.

Para driblar tudo isso, o clássico: chamadas de vídeo. A tecnologia aproxima e ajuda a amenizar a saudade nos dias difíceis – que são a maioria. Pela tela, eles conversam, contam sobre o dia e transmitem o amor.

Fonte: IG Mulher

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