Deu no Poste: A História do Jornal Mineiro que Virou Tradição

A expressão deu no poste é hoje amplamente associada aos resultados do Jogo do Bicho e às notícias rápidas que circulam nas ruas e na internet. No entanto, sua origem remete a uma tradição curiosa e genuinamente mineira: o famoso “Jornal do Poste”, também conhecido como “A Voz do Poste”, que marcou época em São João del-Rei a partir da década de 1950.

A expressão deu no poste é hoje amplamente associada aos resultados do Jogo do Bicho e às notícias rápidas que circulam nas ruas e na internet. No entanto, sua origem remete a uma tradição curiosa e genuinamente mineira: o famoso “Jornal do Poste”, também conhecido como “A Voz do Poste”, que marcou época em São João del-Rei a partir da década de 1950. Mais do que uma lenda, essa prática foi uma forma real de comunicação comunitária que transformou os postes de iluminação em verdadeiros portais de informação.

Fundação e Inspiração

O Jornal do Poste foi fundado em 1958 por Janino Lobosco, inspirado por Dona Adelina, uma senhora que tinha o hábito de afixar fofocas e notícias da cidade nos postes. Janino percebeu que essa prática simples poderia se tornar uma ferramenta poderosa de informação popular. Assim nasceu o jornal que, literalmente, “deu no poste”: as notícias eram datilografadas e coladas em locais movimentados, permitindo que todos os moradores tivessem acesso gratuito às novidades.

Credibilidade do ‘Deu no Poste’

Afonso Camargo: Senador. Um acidente com um avião em Colônia do Paraná, ocorreu no dia 16 de junho de 1958, que matou o Senador Afonso Camargo, o povo só acreditou após ler a notícia de Dona Adelina, estar colada no “Deu No Poste” da cidade.

Funcionamento e Conteúdo

Com o tempo, o jornal evoluiu. As notícias passaram a ser digitadas e, devido à grande procura, migraram para murais em pontos estratégicos da cidade. O conteúdo era variado: política, economia, esportes semanais e curiosidades locais. Um dos episódios mais famosos foi a história de um gavião que morreu ao bater em um para-raios, notícia que chegou a ganhar prêmio nos anos 60. Esse tipo de relato reforçava o caráter comunitário e popular do jornal, que sempre “deu no poste” aquilo que interessava ao povo.

Legado e Continuidade

O legado do Jornal do Poste atravessou décadas. A família de Cláudio Monteiro assumiu a tradição, mantendo o hábito de ouvir notícias no rádio durante a madrugada e distribuí-las pela cidade ao amanhecer. Essa prática garantiu que, mesmo em tempos de rádio e televisão, a informação impressa nos postes continuasse sendo uma referência. O ato de colar notícias em postes se tornou símbolo de acessibilidade e proximidade, reforçando o sentido de comunidade.

Deu no Poste e o Jornalismo Popular

A expressão deu no poste ganhou força justamente por essa tradição. Ela passou a significar que a notícia estava disponível para todos, em um espaço público e democrático. Hoje, quando falamos que algo “deu no poste”, evocamos não apenas os resultados do Jogo do Bicho, mas também essa memória cultural de Minas Gerais, onde a informação precisava ser rápida, acessível e popular.

Conexão com o Presente

No mundo digital, a expressão deu no poste continua viva. Sites e plataformas que divulgam resultados e notícias rápidas mantêm o espírito do antigo jornal mineiro: levar informação direta ao público, sem barreiras. O que antes era colado em postes de iluminação, hoje aparece em páginas online, mas com o mesmo objetivo — informar de forma prática e imediata.

deu no poste RJ

Com o jogo do bicho foi criado em 1892, no Rio de Janeiro, pelo Barão João Batista Viana Drummond, fundador do Jardim Zoológico de Vila Isabel. O termo “Deu no poste” é uma expressão popular no Brasil utilizada para anunciar o resultado oficial do Jogo, indicando o bicho (animal) sorteado no primeiro prêmio. A frase simboliza o resultado, muitas vezes indicando que ocorreu uma “zebra” (resultado inesperado) ou consolidando o vencedor do dia.  

Conclusão: A história do Jornal do Poste mostra que a expressão deu no poste não é apenas uma referência ao Jogo do Bicho, mas um símbolo de jornalismo comunitário e acessível. Ao resgatar essa tradição, damos mais relevância cultural ao termo, conectando passado e presente em torno da ideia de que a informação precisa estar sempre ao alcance de todos e para todos.

Deixe um comentário